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O elegante som da Maria Schneider Orchestra

Ouça este e outros áudios de jazz no Blog Farofa Moderna

A saga de Maria Schneider teve início em meados da década de 80, quando ela passa a estudar composição com o trombonista Bob Brookmeyer e passa a ser auxiliar de Gil Evans, chegando a colaborar com este na trilha do filme A Cor do Dinheiro e na turnê Gil Evans/ Sting em 1987, na Europa. Sua carreira solo, porém, inicia em 1993 quando ela forma sua própria orquestra e começa a se apresentar todas as Segundas-Feiras no grande clube Visiones em Greenwich Village, Nova Iorque. Ao gravar seus primeiros discos, Evanescense e Coming About, o sucesso de público e crítica foi imediato. Seus discos posteriores lhe renderam elogios e premiações nos maiores holofotes americanos: indicações a premios Grammy's, nomeações nas revistas Jazz Times e Downbeat, nas listas anuais da Associação dos Jornalistas de Jazz (Jazz Journalist Award) e na revista Time e nos rankings da Billboard. No podcast eu abordo faixas de apenas três discos de Maria Schneider: Coming About (1996), Days of Waine and Roses (gravado ao vivo no clube Jazz Standard em 2000) e, por fim, mostro uma faixa do Sky Blue (2007), o ultimo disco que Schneider lançou e que, mais uma vez, lhe rendeu duas nomeações na Jazz Journalist Wards: The Best Composer e The Best Arranjer, em 2008.

No podcast também abordo o fato de que na década de 90, Maria Schneider, talvez, tenha ficado na sombra do bandleader e compositor Wynton Marsalis, haja vista suas poderosas suítes e oratórios que acabou lhe rendendo prêmios e títulos como "Um dos maiores compositores norte-americanos de todos os tempos" - vide o prêmio Pullitzer dado à obra Blood on the Fields em 1997. Mas na década de 2000, Maria Schneider foi, realmente, a maior arranjadora e chefe de orquestra, quebrando aí alguns tabus que as mulheres geralmente tem de enfrentar quando querem ser estrelas do jazz frente aos homens marmanjos e virtuoses. Ora, se falta à Maria Schneider a esquematização e imaginação da escrita genial de Wynton Masalis, a arranjadora, por sua vez, conseguiu mostrar obras de grande lirismo e inventividade e até mesmo vigor em alguns arranjos, já que ela conseguiu juntar alguns dos maiores solistas de Nova Iorque: entre eles eu destaco o virtuoso trompetista Tim Hagans, o saxofonista Donny McCaslin, o acordeonista Gary Versace, a trompetista Ingrid Jensen, a vocalista brasileira Luciana Souza, o baterista Clarence Penn, dentre muitos outros bons instrumetistas. A lembrar também estão os detalhes da sonorização, harmonização e atmosfera que Maria Schneider imprime em suas peças melodiosas: em seus discos há, por exemplo, faixas de grande swing e pegada bop (como no arranjo sobre o tema Giant Steps de Coltrane), mas estas contrastam com outras faixas que evidenciam uma orquestração mais melodiosa, tênue e lírica (como em Aires de Lando - do disco Sky Blue -, faixa suvamente dotada de um lirismo latino): muitas vezes essas faixas soam quase como um cantábile em adágio, com uma dinâmica musical que vai do pianíssimo ao fortíssimo, imprimindo, no percurso, várias nuances interessantes. Contudo, a música de Schneider não soa melosa ao extremo, mas soa contemporânea e agradável - além do que, também há partes onde ela evidencia uma orquestração mais "suja", "psicodélica" e "experimental": como na primeira faixa da "suite" Scenes From Childhood intitulada Bombshelter Beast, presente no excelente disco Coming About.

Boa Audição!

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