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Qual músico de jazz é capaz de criar uma discografia talhada com influências tão díspares como jazz tradicional (ragtime, swing), jazz moderno (neo-bop e post-bop), funk, rap, spoken word, klezmer music (música judaica), ópera, ária e lieders eruditos, música caribenha e afro-latina, M-Base e free jazz? Resposta: Don Byron, um compositor e clarinetista dos mais criativos músicos de jazz dos ultimos anos.
Don Byron é um músico que se encaixa perfeitamente na vertente atual denominada Modern Creative, que é nada mais do que uma denominação usada para caracterizar os músicos do jazz contemporâneo que usam de influências diversas em suas colagens sonoras: colagens que vão desde o swing jazz, passando pela influência moderna do bop - entendido atualmente como neo-bop e post-bop -, usando a cacofonia do avant-garde, botando um requinte erudito, apimentando com influências latinas e por aí vai, num infinito de misturas e possibilidades. Essa geração denominada Modern Creative, que passou a evidenciar-se na passagem do século 20 para o século 21, é constituída de músicos que costumam ser gandes parceiros de Byron, tais como: Dave Douglas, Uri Caine, Graham Haynes, Bill Frisell, entre outros músicos do cenário nova-iorquino denominado como Downtown.
As duas primeiras faixas do primeiro bloco, Mamaliege Dance e Litvak Square Dance, são do repertório de Mickey Katz, um enterteiner e clarinetista judeu dos tempos do swing jazz, o qual Don Byron homenageou no disco Don Byron Plays The Music of Mickey Katz. A faixa seguinte, Glitter and Be gay, é uma ária ou um lieder (um tipo de canção operística e erudita muito comum na música de câmera alemã - vide os famosos lieders do compositor Franz Schubert): esta faixa está no disco A Fine Line (Árias and Lieders).
O segundo bloco é constituído de duas faixas: Goetz, James Ramseur, Me do disco Romance with the Unseen e Tuskegee Experiment do disco homônimo, o primeiro disco de Byron. Ambas tem características do neo-bop e post-bop, sendo a segunda mais levada pro lado do free-funky e impregnada com o spoken vocals do poeta e rapper Sadiq, um dos grandes colaboradores de Byron. Lembrando, também, que essas faixas mostram atuações fantásticas dos sidemans: Em Goetz, James Ramseur, Me ouvimos a atuação fantástica do guitarrista Bill Frisell e do baterista Jack DeJohnette; já em Tuskegee temos a atuação fantástica do baterista Ralph Paterson, além da voz de Sadiq.
O ultimo e terceiro bloco, o mais comprido, mostra a influência dos beats caribenhos e afro-latinos contida no disco Music for Six Musicians e, também, as influências do funk, hip hop e M-base (estilo de jazz criado pelo saxofonista Steve Coleman) contidas no disco Nu Blaxploitation. As faixas que constituem esse bloco são The press Made e I'll Chill on the Marley Tapes (amas do disco Music for Six Musicians), além de uma faixa do disco Ivey-Divey chamada Leopold, Leopold (que eu errôneamente anunciei como sendo do disco Nu Blaxploitation) e, por fim, a faixa Alien do fantástico Nu Blaxploitation. Ademais, eu encerro o podcast usando uma faixa bem conhecida de todos os amantes de jazz: do disco Bug Music eu uso a faixa St Louis Blues, famoso tema do jazz tradicional - lembrando que esse disco, Bug Music, é um disco onde Byron se dedica apenas à recriar standards e temas do repertório do New Orleans Jazz e Swing.
OBS: No Blog Farofa Moderna há um bootleg de um show de Don Byron com seu Sexteto em Quasimodo, Alemanha. ( esse sexteto tem a mesma configuração usada no fantástico disco Music for Six Musicians, sendo quase todos os integrantes o mesmo que atuaram na gravação do respectivo disco). Acesse o link acima e baixem!
Boa Audição
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