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A Criss Cross Records foi fundada na Holanda em 1980 pelo ex-baterista e professor Gerry Teekens. A princício seu fundador prezou por gravar apenas artistas dissidentes do bebop, hard bop e post-bop sessentista que passavam pela Holanda e também estavam esquecidos pela mídia e público após o declínio do jazz acústico na era do pop e do fusion: entre eles estavam o guitarrista Jimmy Raney, o saxtenorista Warne Marsh, o trombonista Jimmy Knepper, o trompetista Johnny Coles, o pianista Cedar Walton, o trombonista Slide Hampton, dentre outros. Depois, com o fenômeno do “Renascimento do Jazz” possibilitado pela onda da revalorização do jazz acústico – o chamado Neo-bop dos Young Lions -, Gerry Teekens passou a procurar por “sangue novo”. E essa “onda” cresceu de forma tão exponencial que Teekens não se preocupou em arriscar nos mais desconhecidos nomes e nos mais recentes instrumentistas que ele encontrava. Com um grande faro para descobrir novos talentos, Teekens fez com que alçassem ao vôo alguns dos mais renomados e algumas das principais revelações do jazz contemporâneo na década de 90 e nesses últimos anos. Tanto que ,ainda hoje, Teekens mantém a mesma tranqüilidade e avidez ao procurar por “sangue novo”, sem se preocupar com sucesso comercial: “If I hear someone I like...I record them, regardless of whether they'll sell.”- disse o produtor em entrevista à revista All About Jazz. Então, vê-se que o entusiasmo de Teekens consiste apenas no talento e na peculiaridade do músico, principalmente se for alguém que tenha gravado poucas vezes e/ou está esperando uma nova oportunidade para mostrar sua música, suas composições: "I'd rather record guys who are really eager to play, "he says" than feature big names who have recorded many times already. There's a lot of fire among the younger musicians.” Essa idéia de formar um grande portfólio de jovens músicos do jazz estadunidense deu-se início em 1984, quando Teekens passou a viajar constantemente aos EUA, chegando, inclusive a gravar no estúdio de Rudy van Gelder, o gênio da engenharia sonora por detrás das grandes gravações da Blue Note e da Impulse nos anos 50 e 60. Em 1990, Teekens encontrou um gênio à altura de Van Gelder: Max Bolleman, o grande homem responsável pela sonorização e engenharia do estúdio da Criss Cross, tem a mesma fissura pela limpidez sonora e pela nitidez dos detalhes que Van Gelder conseguia obter em suas masterizações. Desde então, diversos músicos de grandes talentos realizaram seus “debuts” pela Criss Cross: entre eles estão Kenny Garrett, Steve Wilson, Benny Green, Bill Charlap, Chris Potter, Mark Turner, Kurt Rosenwinkel, Orrin Evans, Seamus Blake, dentre outros. Portanto, não foi à toa que, inicialmente, a Criss Cross se destacou apenas por ser “selo de estréia” para muitos músicos que automaticamente se consagraram no cenário norte-americano. Ou seja, os músicos estreavam pela jovem gravadora e logo eram chamados por gravadoras maiores como a Verve e a Blue Note, consagrando-se imediatamente como novos músicos no topo da lista dos venerados: foi assim, por exemplo, com o guitarrista Kurt Rosenwinkel que, logo após sua estréia sob o comando de Teekens, foi chamado para ser um artista da Verve. Atualmente, no entanto, a gravadora – apesar de continuar na mesma linhagem de descobrir novos instrumentistas - já tem seu próprio portfólio de músicos residentes e já se destaca não só por ser, desde sempre, um selo totalmente dedicado ao jazz, mas também por ter estabelecido um grau de excelência comparado ao das grandes gravadoras de jazz dos anos 50 e 60 tais como a Blue Note, Prestige e Riverside. Pode-se ver que a gravadora, cada vez mais, tem ampliado seu cast com instrumentistas fantásticos, lançando uma média de 15 a 20 álbuns por ano. O baterista Herlin Riley, o trombonista Wycliffe Gordon, os saxtenoristas Seamus Blake e Walt Weiskopf, os trompetistas John Swana, Ryan Kisor e Alex Sipiagan e os pianistas David Kikoski e Orrin Evans são alguns desses músicos fantásticos que já estão estabelecidos - alguns já alguns anos - como “pratas-da-casa”.
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